quarta-feira, 4 de junho de 2014

Animextreme: um universo e diversos mundos

              Esta postagem é referente à saída de estudos realizada no início do mês de Maio nas dependências da FIERGS para prestigiar  20º Animeextreme, esta atividade ocorreu como solicitação das disciplinas de Culturas Juvenis e Práticas de Leitura e Escrita.
  O evento AnimeXtreme não é novidade para mim, frequento esta modalidade de evento desde há mais de 10 anos contudo é impossível não se surpreender com a evolução que os participantes apresentam a cada ano. Algo que eu percebi, é que no início estes eventos eram quase que exclusivamente voltados à cultura pop japonesa representada pelos animes e músicas do estilo “J Rock”, contudo esta face do evento modificou-se rapidamente ampliando seu alcance para todos os elementos que compõe o universo nerd por assim dizer. Hoje, é meio que impossível identificar os jovens otakus pois, afinal não se assume um único traço de gosto ou preferência, os jovens apreciam basicamente de tudo um pouco indo do funk carioca ao japonês fluente das aberturas e encerramentos dos animes. Séries de televisão, na totalidade estrangeiras, competem de forma desleal com os “zines” de autores anônimos, gerações dividem espaço em mesas de R.P.G. e “trading cards” proporcionando trocas únicas de experiências. 

Estas características andam lado a lado com elementos extremamente atuais como a internet e os canais do “youtube” que aproximam ainda mais as gerações, pois disponibilizam conteúdos que há muito tempo saíram do ar, a internet também entra em cena com os jogos que possibilitam diferentes interações fora do evento e estas toam forma no evento através de torneios, amistosos ou a simples troca de experiências. Pluralidade nas informações e nos gostos são a marca do público do AnimeExtreme, assim como o consumo. Desde os primórdios do evento além da troca de experiências e de afinidades os eventos de cosplayers sempre foram um espaço de consumo excessivo. 
Toda sorte de produtos é ofertada e avidamente consumida pelo público, admito que esta peculiaridade ainda hoje me espanta pois a lei da oferta e da procura é vivenciada ao extremo nos dias de evento, os preços sobem em escalas astronômicas se comparados ao seu valor em lojas físicas ou virtuais fora do evento, todavia, isso não diminui o interesse. Pelo contrário, alguns jovens utilizam as placas de acrílico (utilizadas para recados, pesquisa, etc.) para pedir mais dinheiro e continuar comprando ou ainda para poder comprar algo para comer pois já gastaram tudo com bugigangas relacionadas ao evento.
Outro elemento que chama a atenção é a total liberdade de contato e comunicação entre os participantes. A interação ocorre de forma indireta através das placas e suas mensagens que incitam determinados comportamentos como “grite isso” ou “faça aquilo”, abordar um estranho para uma fotografia ou entrar em um debate sobre um assunto de interesse com pessoas que você nunca viu. 
O AnimeXtreme extermina com barreiras como a timidez através do cosplay, ou seja, não é o jovem que está ali mas o personagem, não é qualquer assunto, mas o jogo que eu entendo e posso contribuir com um conhecimento ou experiência. Um espaço de jovens e para jovens, e não me refiro à juventude no sentido biológico, mas sim por escolher o que me interessa e com quem eu quero me relacionar.

O mundo geek sempre foi o excluído, o alheio, o estranho e somente há pouco tempo tornou-se o “pop”, muito dessa modificação deve-se a séries de televisão como The Big Bang Theory que apresenta de forma satirizada este universo. Outros elementos como a internet e na disponibilização de conteúdos extremamente variados ao mesmo público o que resulta na formação de uma identidade extremamente complexa, variada onde o prazer – aquilo que eu gosto – é o que importa. 
Realizar esta análise na posição de professor/educador me faz perceber que por mais plural que seja o universo geek ainda é pouco explorado pelos meios de comunicação formais, os mais acessados pelos jovens da periferia. 
Percebo que a pluralidade existente neste contexto não ocorre fora dos portões do evento, parafraseando Cecília Meireles, “ou isso, ou aquilo”, modinhas e micôcos, roqueiros e funkeiros, sempre nesta disposição de antagonismo. 
Acredito que o “espírito do evento” aos poucos tomará proporções ainda maiores e amplificando os valores inerentes a convivência presentes nos dias em que o evento se realizou.

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